As galerias celulares pré-fabricadas industrialmente, também conhecidas como “aduelas” podem ter seção transversal aberta (canais) ou fechada (aduelas) e para ambas as situações existe a necessidade de especificação de uma base para assentamento destas peças.
A base (“berço” ou “fundação”) para assentamento das peças deve ser projetada por engenheiro especialista, que deverá levar em consideração:
- Definição do tipo de solo local;
- Resultados dos relatórios de sondagens feitas no local da obra;
- Definição da utilização das Aduelas;
- Verificação se há necessidade de estanqueidade ou não;
- Tipo de sobrecargas permanentes e acidentais envolvidas no projeto;
- Altura de aterro sobre a laje superior das peças (sobrecargas permanentes);
Por tratar-se de estrutura retilínea e reticulada, com juntas a cada 1,00 metro e, na grande maioria dos casos, com sistema de encaixe macho-fêmea, as bases devem ser projetadas para garantir estabilidade, de maneira a não permitir possíveis desencaixes das peças decorrentes de recalques diferencias das fundações, devendo ser compatíveis com a utilização das peças, que pode ser:
– canalização aberta ou fechada de córregos;
– construção de reservatórios enterrados para retenção e/ou retardo pluvial, para reuso pluvial, para sistema de combate a incêndios;
– construção de galerias técnicas destinadas ao compartilhamento de serviços de telefonia, energia elétrica, fibra ótica e demais serviços correlatos;
– construção de passagens de veículos (pequenas pontes); – passagem de fauna, entre outras possibilidades

Dentro deste contexto, cabe ressaltar que as aduelas têm geometria favorável a uma boa distribuição de cargas no terreno, devido à planicidade da sua laje inferior.
De maneira geral, para solos de média resistência e alturas de aterro até 5 metros, a forma mais prática e econômica para projetar esta fundação consiste na especificação de uma camada de “rachão”, que deverá ter seus vazios fechados com BGS (brita graduada simples) ou bica corrida, que tem a finalidade de travar esta base, conferindo-lhe mais estabilidade.
A profundidade da escavação para aplicação do rachão deve ser determinada pelos relatórios de sondagens, que devem indicar a profundidade em que se encontra solo com resistência adequada para apoio do rachão.
A espessura total dessa base deve ser projetada por engenheiro geotécnico, munido dos relatórios dos ensaios de geotecnia do solo local. A sua execução deve utilizar rolo compactador autopropelido liso, com dispositivo vibratório, com peso e tamanho compatíveis com a espessura da base. O BGS ou a bica corrida deve penetrar na camada de rachão propiciando seu travamento e fechando de todos os vazios. Esta base deverá ser construída em camadas de aproximadamente 20 cm e compactadas com controle de próctor, seguindo as orientações específicas de cada utilização prevista.
Salientamos a necessidade de deixar a camada final de 20 cm apenas com brita graduada simples, evitando-se apoiar a laje de fundo das aduelas diretamente sobre o rachão, o que ocasionaria grande concentração de tensão e efeitos desfavoráveis à estrutura de concreto armado.
Na ausência de informações sobre os levantamentos geotécnicos do local e na falta de definição geotécnica específica, poderá ser utilizada a tabela abaixo como referência, que relaciona as alturas de aterro sobre a laje superior de cada aduela com a tensão admissível obtida através de ensaio realizado no topo da base acabada. Ressalta-se a importância de a liberação do projeto da base / fundação ser feita por técnico especializado e ser aprovada pela fiscalização.
| Tensões admissíveis do solo de fundação para assentamento de aduelas que devem ser adotadas na falta de informações geotécnicas específicas da obra | |
| Aterro H (m) | σ kgf/cm² |
| Até 2,50 | 0,50 |
| De 2,50 a 5,00 | 1,00 |
| De 5,00 a 7,50 | 1,50 |
| De 7,50 a 10,00 | 2,00 |
| De 10,0 a 12,50 | 2,50 |
| De 12,50 a 15,00 | 3,00 |
Observação importante: a tensão admissível é calculada considerando todas as envoltórias de carregamento das sobrecargas permanentes e acidentais que atuam sobre a estrutura ao nível do seu apoio (laje inferior). Estas sobrecargas abrangem: aterro (peso de terra), sobrecarga de veículos, sobrecargas de construções ou edificações em superfície, peso próprio da aduela, peso do líquido conduzido internamente na rede, entre outras.
Conclusão
Outras soluções poderão ser desenvolvidas para a base (fundação) para assentamento das aduelas pré-fabricadas industrialmente, mas a solução mais utilizada e adequada é a base de rachão travada com BGS, cuja espessura deve ser definida em cada caso específico de utilização e suas respectivas sobrecargas.
A execução de laje de concreto sobre a base de rachão não é uma condição obrigatória, e deve ser estudada criteriosamente, apenas em situações de instalação específicas, uma vez que a mesma promove apoio disforme da laje inferior da aduela sobre a laje de concreto (duas superfícies rígidas), alterando de forma significativa a distribuição de cargas na base da aduela, distanciando do modelo de cálculo adotado inicialmente, o qual prevê um pórtico plano apoiado elasticamente no solo. Caso seja optada por essa solução, essa laje deverá ser muito bem executada, evitando-se ondulações, que são desfavoráveis ao assentamento das peças.
Em casos excepcionais, na hipótese de solo muito mole e inconsistentes, após análise estrutural e geotécnica, se não houver viabilidade econômica da troca do solo, deve-se estudar possibilidade de uso de fundações profundas, que muitas vezes implica na cravação de estacas ou outras soluções que possuem custos elevados de execução.


