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ETE de Barueri é ampliada

Veja detalhes técnicos da construção de dois novos tanques de decantação que aumentarão a vazão da maior ETE da América Latina

Estação de tratamento de esgoto de Barueri (SP) - a maior da América Latina - conta com oito tanques primários e 16 secundários. Na ETE, estão sendo construídos dois novos reservatórios, um de cada tipo

A ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Barueri , que já é a maior da América Latina, terá, em breve, sua capacidade ampliada de 9,5 m3/s para 11 m3/s. A construção de dois tanques de decantação primária e outros dois de decantação secundária, na fase líquida do tratamento, é resultado de um compromisso firmado entre a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). "O acordo é, além de fazer a expansão da remoção de esgoto, ampliar a capacidade das plantas [de tratamento]", explica Amarildo dos Santos, coordenador na Sabesp.

De acordo com Santos, o crescimento da coleta de esgoto nos municípios da região metropolitana de São Paulo, impulsionada pelos investimentos da terceira etapa do Projeto Tietê, gera um aumento na vazão das ETEs. "Das cinco grandes ETEs que temos em São Paulo, todas estão caminhando para uma ampliação", analisa Santos.

As etapas anteriores do Projeto Tietê também contribuíram para levar a estação a um nível próximo ao limite máximo. "Hoje, há momentos de pico que a ETE consegue absorver, mas com perda relativa de qualidade do efluente - uma qualidade ainda aceitável pela Cetesb", indica Santos.

Os dois novos decantadores primários - onde o lodo é sedimentado e decantado por gravidade - serão adicionados aos outros oito já existentes. Retangulares (com 95 m de comprimento por 18 m de largura), eles contam com pontes removedoras de lodo. "São duas pontes, cujas extremidades são dotadas de tubos que succionam o lodo que é sedimentado no fundo", expõe Santos.

Os decantadores primários terão fundação e estrutura feitas em concreto especial, devido à agressividade do ambiente. "No caso de uma ETE, os equipamentos representam uma parcela significativa do custo total. Trata-se de uma estrutura civil comum, mas os equipamentos mecânicos, que vão fazer a operação de toda a matéria, têm um custo quase igual ao da parte civil", compara Eduardo Matoso de Lima, engenheiro civil da Sabesp, referindo-se a itens como bombas e pontes removedoras.

Uma galeria de concreto armado, já existente, conduzirá o esgoto efluente das caixas de areia e tanque de pré-aeração até os novos tanques. Placas vertedoras serão instaladas no tanque de pré-aeração específico com o qual será feita a interligação. A remoção de lodo será executada da mesma forma que nos tanques já operantes: uma linha (duto) de ferro fundido com 150 mm de diâmetro levará o lodo até a nova elevatória, composta por três bombas para recalque de lodo e escuma.

Os dois novos tanques secundários também seguirão as especificações e funcionamento dos 16 já existentes. Em formato circular, os tanques terão 46 m de diâmetro e 4 m de profundidade útil. A remoção do lodo será feita por meio de raspadores de fundo.

Os novos decantadores secundários exigirão a instalação de uma elevatória de retorno de lodo adicional, constituída de bombas centrífugas, com sucção simples. Esse lodo será conduzido aos tanques de aeração já existentes e o efluente resultante do processo será lançado no rio Tietê. "O esgoto entra com uma carga orgânica de 100% e sai 92% limpo - o que é aceitável de acordo com a legislação ambiental", explica Santos.

A obra tem duração prevista de 20 meses e foi orçada em R$ 26,5 milhões, captados junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Antes mesmo de a construção ser concluída, outra fase de ampliação deve começar. "Estamos desenvolvendo um projeto para a segunda etapa de expansão, que vai começar em 2012, em que vamos aplicar pelo menos R$ 250 milhões", conta Santos. A meta é atingir capacidade de 16 m³/s até 2018.

Na implantação inicial da ETE Barueri, os decantadores foram instalados no Módulo 2, já que no Módulo 1 havia elementos de uma linha elétrica de alta tensão, posteriormente removida. Obras executadas a seguir utilizaram parte do Módulo 1 para a construção de quatro novos tanques de decantação secundária. Os quatro novos decantadores utilizarão a área do Módulo 1. O objetivo é elevar a capacidade da ETE para 11 m ³ /s

Tanque Primário
Os novos tanques de decantação primária terão largura de 18 m, comprimento de 95 m e profundidade útil de 3,5 m, tendo um volume unitário de 5.985 m³. O esgoto será levado dos tanques de pré-aeração e das caixas de areia para o decantador primário por meio de uma galeria de concreto armado já existente, construída nas obras iniciais da ETE, mas que só agora entrará em operação. O material acumulado no poço de lodo é conduzido por um duto de 150 mm, de ferro fundido, até a nova elevatória, que consiste em três bombas para recalque de lodo e escuma.

Tanque Secundário
Os decantadores secundários terão diâmetro de 46 m, profundidade útil de 4 m, área unitária de 1.661 m² e volume unitário de 6.644 m³. Uma nova elevatória de retorno de lodo será instalada para atender aos dois novos tanques secundários e um dos já existentes. Com a mudança, a proporção de tanques por elevatória de retorno voltará a ser de três para uma.